Conta-se que há muitos séculos, antes mesmo da chegada dos primeiros colonizadores portugueses às terras que hoje formam Guaramirim, vivia às margens do Rio Itapocu uma tribo ancestral que reverenciava a natureza como sagrada. Entre os animais mais respeitados estava uma ave mística: o Guará Rubro, de penas vermelhas como fogo e olhar profundo como o rio. Era dito que o guará era o guardião espiritual da floresta e do rio, e que suas aparições anunciavam prosperidade ou tragédia, dependendo da pureza do coração de quem o visse.
Segundo os antigos, o guará era um espírito encarnado da mata, enviado pelo céu para proteger a região. Ele pousava apenas nas margens onde o arroz crescia em abundância, onde os bananais dançavam com o vento e onde as espigas de milho douravam ao sol. Ali, ele mantinha a harmonia entre a terra e a água, entre o homem e a natureza.
Quando os colonizadores chegaram, atraídos pela fertilidade do solo e a beleza do rio, construíram vilas e trouxeram suas tradições. A região foi chamada de Bananal. Mas com o tempo, os desentendimentos cresceram entre os moradores dos dois distritos, Massaranduba e o promissor Guaramirim.
Foi então que, em uma noite de lua cheia, quando os ânimos estavam exaltados, o Guará Rubro apareceu no céu, voando sobre o Rio Itapocu. De suas asas emanavam faíscas de luz vermelha, e onde pousava, a vegetação crescia mais forte, os frutos mais doces, o solo mais fértil. As pessoas pararam para observar, maravilhadas. O guará voou até o coração do distrito e pousou exatamente onde anos depois seria erguido o centro de Guaramirim. Entendeu-se como um sinal sagrado: a terra protegida pelo Guará era destinada à liderança.
Desde então, a cidade foi se desenvolvendo e consolidando sua identidade. Dizem que o guará desapareceu das vistas humanas, mas ainda vigia do alto, das nuvens que se espelham no Itapocu. Sempre que uma decisão importante se aproxima, ou quando a cidade enfrenta crises, pescadores antigos garantem ver uma ave vermelha riscando o céu ao amanhecer.
E reza a tradição que, quando o guará reaparecer e pousar novamente sobre o rio, trará consigo uma nova era de fartura e união, desde que os corações de Guaramirim estejam limpos de egoísmo e orgulho.